terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Parte 22 - Um grito na noite


Depois do jornal das 11 da noite, John deixou Marley fazer pipi. Olhou para Patrick. Apagou as luzes e se deitou ao lado de Jenny. Marley esborrachou-se no chão ao lado de John. John estava começando a dormir, quando ouvir um som agudo.
- Ahh!
Marley também, ele congelou ao lado da cama. Depois ouviram de novo. O grito de uma mulher, alto e claro.
John: Venha, rapaz.
Jenny: Não vá lá fora. Chame a polícia.
John: Eu vou tomar cuidado.
Segurando Marley pela ponta do enforcador, saiu na varanda de entrada. De shorts. Ele viu alguém fugindo em direção ao mar. John ouviu de novo um grito. Ele só ouvia esses gritos em filmes de terror. Outras luzes de varandas começavam a acender. Dois rapazes irromperam a rua em direção ao grito só de regata e cueca. Um deles falou:
- Vá acudir a moça, ela foi esfaqueada.
O outro falou:
- Vamos atrás do cara.
A vizinha de John também entrou na perseguição. Barry tinha o perseguido de carro. John soltou a coleira de Marley e correu em direção aos gritos. Ele encontrou sua vizinha de 17 anos, chorando convulsivamente, dobrada ao meio. Sob suas mãos John pôde ver uma imensa mancha de sangue. Era uma garota bonita. Magra, de cabelo loiro-claro.
- Ele disse para eu não gritar, se não me esfaqueava. Mas eu gritei, e ele me esfaqueou.
Ela levantou a blusa para mostrar a ferida em sua caixa torácica.
- Eu estava sentada no carro com o rádio ligado. Ele saiu do nada.
John a deitou no asfalto e a colocou sobre seu colo. Ela lutava para manter os olhos abertos.
- Ele colocou a mão na minha boca e disse para eu não gritar.
- Você fez o que devia, o espantou. Você vai ficar bem.
Sua pele ficava acinzentada. Somente depois foi se lembrar de Marley. Quando olhou para frente, ele estava a 3 metros, numa posição de ataque que nunca tinha visto antes. Percebeu nesse momento que Jenny tinha razão quando dizia que Marley lutaria até a morte com um assaltante.
John: Estou com você. A polícia tá chegando, aguenta firme.
Antes de fechar os olhos ela falou: “Meu nome é Lisa”
John: E eu sou John. Você está segura Lisa.
Um policial veio subindo à calçada.
John assobiou para Marley e disse:
- Ele é do bem.
Jenny encontrou John na porta e ficaram juntos observando o que acontecia na rua. Um helicóptero de polícia passou por cima deles. Os vizinhos de John que tinham ido atrás do bandido disseram que não chegaram a vê-lo de longe. Jenny e John acabaram voltando pra cama.
John: Você teria ficado orgulhosa de ver Marley.
Jenny: Eu disse.
John: Você se comportou muito bem, Marley. Você fez por merecer sua ração.
No final, o jornal não citou quase nada. Não falou de John, dos vizinhos que haviam perseguido o assaltante.
A faca perfurou o pulmão de Lisa, e ela passou cinco dias hospitalizada.
Enquanto John lavava os carros na calçada em um sábado, ele olhou para frente e viu Lisa. Ela sorriu.
Lisa: Lembra de mim?
John: Vamos ver... Você é familiar. Você não estava em pé na minha frente no show de Tom Petty e não queria se sentar?
Ela riu.
John: Você está bem?
Lisa: Quase normal.
John: Você parece ótima.
Lisa: Que noite aquela!
John: Que noite! Fico feliz que tenha vindo me ver.
Lisa: Eu também fico.

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