Jenny
ligou para John no escritório. Tinha acabado de voltar de uma consulta com o
doutor Sherman.
Jenny:
A sorte dos irlandeses. Vamos começar tudo novamente.
Essa
gravidez foi diferente. Manteram o maior segredo possível. A não ser pelos
enfermeiros e enfermeiras de Jenny. Jenny tomava suco de uva no copo de vinho para
não levantar suspeitas. Trancaram todos os limpadores químicos e os pesticidas.
Eles usaram vinagre para dissolver a saliva de Marley e ácido bórico para
manter Marley e seus lençóis sem pulgas.
Jenny
se levantava toda manhã e levava Marley para uma caminhada rápida. Ela passava
o dia todo vomitando, só que ela superava todo ataque de enjôo como uma indicação
de que o ser dentro dela estava se desenvolvendo.
Dessa
vez ele estava se desenvolvendo mesmo, Essie pegou a fita de vídeo de John e
gravou as primeiras imagens do bebê. Podiam ouvir seu coração bater.
Doutor
Sherman: Jenny, por que você está chorando? Deveria estar feliz.
Essie
bateu nele com a prancheta da mão e disse:
-
Vá embora e deixe-a em paz.
John
se tornou amigo do atendente do mercadinho 24 horas, porque comprava sorvete,
maçãs, aipo ou chiclete em sabores que nem sabia que existiam.
Jenny:
Não vamos ter nada para colocar nos pés do bebê ao sairmos da maternidade.
Não
importava que ainda faltassem 4 meses para o bebê nascer. Que a temperatura
seria de “gélidas” 36 graus Célsius. Não importava que o bebê estaria
embrulhado das cabeças aos pés, com o cobertor.
John:
Jenny, seja razoável, são oito horas da noite de domingo.
Jenny:
Precisamos de meias.
John:
Temos várias semanas pela frente.
Jenny:
Veja esses dedinhos pequenininhos.
Não
adiantou, John teve que comprar resmungando meias minúsculas.
Marley
adorava mangas e suas fezes começaram a mudar. Logo o quintal de John e Jenny
estava cheio de cocôs moles e coloridos. A vantagem era que eles chamavam
atenção e era quase impossível pisar em um. E ele também comia de outras
coisas, de tudo, canetas, pentes. Ele vomitava com muita regularidade.
Para
o aniversário de Jenny, John comprou um colar de ouro de 18 quilates. Ela
colocou imediatamente. Mas umas horas mais tarde ela colocou a mão no pescoço e
gritou:
-
Meu colar sumiu!
-
Não entre em pânico, deve estar aqui em algum lugar.
Começaram
a vasculhar tudo, mas John percebeu que Marley estava mais agitado que o
normal. “Ah não”. John pensou.
Jenny:
O que é isso pendurado na boca do Marley?
John:
Droga!
Jenny:
Não se mexa rápido.
John:
O.k. rapaz, está tudo bem. Queremos apenas o colar.
Jenny:
Devagar Marley.
Marley
parecia estar pensando:
-
Deixem 200 biscoitos de cachorro no supermercado ou nunca mais verão seu
precioso colarzinho.
John:
Solte Marley.
Já
sabiam o que fazer. Jenny seguraria a parte de trás de Marley para ele não
fugir e John abriria sua mandíbula.
John:
Quando eu contar até 3.
Jenny:
Ele está engolindo o colar!
John
colocou sua mão toda dentro da garganta de Marley.
John:
Tarde demais.
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